domingo, 23 de junho de 2013

                          O RENASCIMENTO DA ARTE


Leonardo Da Vinci / A Dama com o Arminho

 - Tais Luso de Carvalho
O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da idade Média para a idade Moderna. Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo.

O que veio a proporcionar a ocorrência do Renascimento foram a expansão do comércio pela Europa, o renascimento urbano, a ascensão dos mercadores marítimos que passaram a a viver em castelos e a incentivar e financiar os jovens artistas, tornando-se protetores das artes, e também a queda de Constantinopla, que fez muitos sábios bizantinos fugirem para o ocidente, principalmente encontrando abrigo nos castelos da Itália.

O Renascimento da Vênus / Botticelli   (+zoom)

A arte renascentista tem como características a valorização do homem, a inspiração dos modelos greco-romanos, perfeição das formas, equilíbrio e harmonia, arte para a elite da época e a volta à natureza como fonte de inspiração.

Essa mudança foi causada por uma série de fatores, nem tudo no Teocentrismo era correto; o homem descobriu que a Terra não era o centro do Universo e sim o Sol; que a Terra não era plana, e sim redonda e girava em torno de si mesma; que haviam outros povos que habitavam o planeta, não só os Europeus e Asiáticos, etc.

À busca da verdade levou o homem à pesquisa. Procurou conhecer mais o mundo em que habitava como também a si próprio. O artista, na idade Média era considerado um instrumento da manifestação divina, não tendo méritos próprios. Na Renascença o artista começa a ser valorizado como pessoa, como um criador, como gênio.

É nesse período que a arte ganha autonomia e que conquista seu próprio espaço e não é mais julgada como parte integrante da religião.

Os artistas estudam o corpo humano, procurando harmonia e perfeição nas formas e vão buscar sua inspiração nos povos greco-romanos – os que melhor trabalharam a natureza humana na antiguidade.

O público renascentista aprendeu dos autores clássicos a esperar da pintura um alto grau de fidelidade à natureza e uma busca da forma perfeita no que pretendiam ver.

A criação de Adão / Michelangelo    (+ zoom)
  Masaccio / Cristo e o Tributo (+ zoom)

Fases das artes visuais no Renascimento Italiano:

TRECENTO - 1300 a 1399 - é a transição entre a estética medieval e a renascentista.
QUATTROCENTO - 1400 a 1499 / auge do Renascimento
CINQUECENTO – 1500 A 1550 / no final deste período começa um certo cansaço e procura por novos movimentos, novas manifestações artísticas.


ARQUITETURA

O maior exemplo da arquitetura renascentista é a Basílica de São Pedro, em Roma, construída em 1506. Bramante, seu primeiro arquiteto, projetou uma planta em forma de cruz grega, com elevada cúpula central. Mais tarde Rafael alterou-a para uma forma retangular. O projeto da cúpula foi obra de Michelangelo  mas foi somente terminada  por Giacomo Della Porta. A famosa Basílica foi consagrada em 1626 pelo Papa UrbanoVIII, após quase 150 anos de trabalhos, quando reinaram mais de vinte papas e colaboraram mais de dez arquitetos. O arquiteto e escultor Lorenzo Bornini desenhou a praça fronteira circular e a monumental colunata tendo ao centro o obelisco egípcio trazido no séc I pelo imperador Calígula. É o maior, o mais importante e o mais rico templo católico do mundo.
Suas caraterísticas são:

Uso das ordens arquitetônicas gregas.
Predomínio da horizontal sobre a vertical.
Uso de arcos, abobadas e cúpulas.
Estátuas no telhado.

Alguns artistas se destacaram: Michelangelo Buonarotti, Angelo Bramante, Bruneleschi e Alberti.

ESCULTURA

Pietá
A escultura no Renascimento volta a ser uma arte autônoma retornando às características da escultura grego e romana.
Uma das mais famosas é a Pietá, de Michelangelo, na qual há uma réplica mo Brasil na igreja São Pelegrino, em Caxias do Sul, RGS. Além de Michelangelo, outros escultores se destacaram, como Bernini, Piero Bonacolsi entre outros.

PINTURA

Cristo e o tributo / Masaccio   (zoom)

Alguns vultos do Renascimento:

Giotto / Afrescos da Basílica de Assis,...
Leonardo da Vinci / com múltiplas habilidades, apresenta La Gioconda, a Virgem dos Rochedos,...
Michelangelo Buonarotti / esculturas Davi, Pietà e afrescos da Capela Sistina,...
Rafael Sanzio / suas Madonas, Escola de Atenas,...
Sandro Botticelli / O Nascimento da Vênus,...
Hieronymus Bosch / O Jardim das Delícias,...
Fra Angelico / Anunciação,...
Masaccio / A Trindade, …
Veronese / Lucrécia,...
Donatello / entre tantos outros das escolas de Florença, Veneza e Roma.

Lucrécia / Veronese
Na pintura, Leonardo da Vinci aparece como grande destaque. Com novas técnicas, apresenta volume e, consequentemente passa a ser pintura tridimensional, com características a seguir:

Emprego da técnica sfumato e o claro e escuro.
Uso da perspectiva científica.
Uso da paisagem como fundo da pintura.
As pinturas apresentam eixo central – na vertical e horizontal.
A visão da figura feminina como mulher, e não como santa.

Na verdade, o Renascimento representou muito mais do que o simples reviver da cultura clássica, significou a valorização do ser humano, a oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a Idade Média. Resgatou o ser humano e sua essência.



Estudo das proporções humanas / Leonardo Da Vinci
 
http://taislc.blogspot.com.br/2011/04/o-renascimento-nas-artes.html


                    O RENASCIMENTO CULTURAL

Renascimento Cultural europeu
Botticelli foi um dos grandes pintores do século XV, com destaque para a obra Nascimento de Vênus
O Renascimento Cultural foi um movimento laico (não eclesial), racional e científico ocorrido na Europa entre os séculos XIV e XVI, que influenciou profundamente o mundo ocidental desde então. Mas em que consistia este movimento e por que foi tão importante?
A importância do Renascimento se deu principalmente pelo fato de ter sido apresentado como uma ruptura com o mundo medieval que estava agonizando na Europa, pautando suas características na cultura greco-romana da Antiguidade Clássica. Dessa forma, o Renascimento foi uma ruptura com a Idade Média, mas que dependeu do trabalho de muitos eruditos deste período para florescer, devido ao trabalho de preservação e reprodução das obras dos pensadores da Antiguidade.
Em contraste com a Idade Média, que produziu uma cultura profundamente religiosa, o Renascimento tinha como elemento central o Humanismo, que valorizava o ser humano, a criação privilegiada de Deus. Dessa forma, o Renascimento pregava oantropocentrismo, que consistia em entender o universo tendo o homem como seu centro, e não mais Deus, como pregado pelo teocentrismo medieval. Frente a esse entendimento do mundo, o homem deveria usar sua razão para conhecer a natureza e as demais coisas existentes. A razão seria ainda um dom de Deus, que aproximava o homem dele através da criatividade e da genialidade, assemelhando as capacidades de ambos, já que Deus criou o homem, o homem poderia criar uma infinidade de coisas.
O Renascimento se desenvolveu primeiramente em algumas cidades italianas, propagando-se posteriormente para o resto da Europa, esse movimento se desenvolveu em várias áreas do conhecimento. Na ciência, destacaram-se Nicolau Copérnico(1473-1543), Giordano Bruno (1548-1600) e Galileu Galilei (1564-1642) pelo desenvolvimento da teoria heliocêntrica, cuja ideia se baseava na centralidade do Sol no universo. Essa ideia era contrária a da igreja que acreditava desde a Antiguidade que a Terra era o centro do universo. Essa concepção ilustrou o renascimento científico, retirando a explicação do mundo e da natureza das mãos da igreja, buscando explicações através de experimentos e do uso da razão.
Na arquitetura, destacou-se Filippo Brunelleschi, que passou a utilizar o cálculo matemático como base de projetos de construção, retomando aspectos arquitetônicos greco-romanos. Na área da política e da organização do Estado, temos Nicolau Maquiavel (1469-1527), que escreveu O Príncipe, uma obra em que ele deu orientações de como um monarca deveria governar para manter um poder forte e centralizado. O termo maquiavélico surgiu do nome desse pensador, apesar de hoje se referir a um aspecto negativo.
Na Literatura, vários foram os escritores que se destacaram, como Dante Alighieri(1265-1321) com a obra A Divina Comédia, Erasmo de Roterdã (1466-1536) com o Elogio da Loucura, Rabelais com Gargantua e Pantagruel, William Shakespeare com muitas peças teatrais, dentre vários outros.
Mas a área da produção artística que mais enche os olhos dos observadores contemporâneos são as pinturas e as esculturas produzidas no período. Pode-se destacar Leonardo da Vinci, com uma grande variedade de atividades, sendo a principal obra a Monalisa. Tem-se ainda Sandro Botticelli, com a genial obra Nascimento de Vênus, em que mistura elementos pagãos e religiosos, nessa obra sua busca pela beleza alcançou o ponto máximo. Há ainda Michelangelo Buonarotti, que trabalhou como pintor e escultor, sobressaindo o teto que pintou na Capela Sistina, no Vaticano, e a escultura Pietá, em que Maria tem nos braços seu filho Jesus. Por fim, pode-se ainda falar de Piter Brueghel, que retratava temas do cotidiano da sociedade, incluindo festas populares e os homens do povo, como é possível ver na tela Dança dos Camponeses, de 1568.

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